(Resenha ampliada) DURANT, Will. César e Cristo. A História da Civilização. Vol. III.



Prosseguimos com nossa proposta analítica de resenhar toda a História da Civilização, monumental coleção escrita por Will e Ariel Durant a partir da década de 30 do século XX, de modo ampliado e relacionado com as sugestivas relações entre texto e imagem, história e literatura, filosofia e cultura tão típicas da perspectiva totalizante do autor.[1] As numerações de páginas entre parênteses que aparecem ao longo do texto se referem aos conteúdos do livro de Durant citados direta ou indiretamente.


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O título do livro demonstra como é bom ler um historiador da Antiguidade que realmente leu a Bíblia! Ao intitular este volume como César e Cristo, é bem provável que Will Durant (1885-1981) se inspirou na passagem bíblica em que alguns alvoroçados fariseus mostraram a Jesus uma moeda romana e o questionaram se considerava lícito pagar impostos a Roma. Calmamente, Jesus perguntou de quem é a efígie impressa na moeda, responderam que era de César. Então, disse Jesus: "O que é de César, dai a César: o que é de Deus, a Deus"[2] (p. 443).


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Durant uniu nesse livro a análise da civilização romana, dos infortúnios enfrentados pelos judeus e da História em torno do reino de Deus ofertado por Jesus. César e Cristo como os dois lados de uma mesma moeda: César é a metáfora dos soberanos de nosso mundo e representa todas as nossas contradições; já o reino prometido por Cristo "não é deste mundo" (p. 442) e oferece a paz que o ser humano jamais encontrou no reino de César:


"Meu reino não é deste mundo. / Se meu reino fosse deste mundo, / meus súditos teriam combatido para que eu não fosse entregue aos judeus. / Mas meu reino não é daqui." [3]


O 3º volume da História da Civilização revela como foram os derradeiros séculos da Antiguidade na Europa, no Norte da África e em algumas regiões do Oriente Próximo. Na verdade, a Antiguidade terminou e outra Era começou devido, exatamente, àquele embate entre o que era de César e o que era de Cristo.


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Seria injusto oferecer a Gaius Julius Caesar (100-44 a.C.), mais conhecido como Júlio César, o título de melhor militar e governante da Roma Antiga. Há muitos exemplos de façanhas militares e de bons governos no interior da milenar história da civilização fundada e ampliada a partir de Roma. Nem o próprio livro de Durant daria conta de todos os exemplos de conduta militar e política romanas que chegaram até nós e fazem a alegria dos mais dedicados estudiosos das artes de batalhar com armas ou com palavras.


Durant concordaria que as realizações de Júlio César foram sem precedentes e memoráveis, por isso, o historiador considera César "um dos mais hábeis, mais bravos, mais honestos e esclarecidos políticos do mundo" (p. 153). Logo, é justificável a fama que César adquiriu em vida e, mais ainda, logo após sua morte. Como observamos na famosa saudação que o imperador Cláudio (10 a.C.-54 d.C.) recebeu dos seus combatentes: "Ave, Caesar! Morituri salutamus te - Salve César! Nós que vamos morrer te saudamos" (p. 214). Além disso, quando o imperador Adriano (76-138 a.C.) conferiu a seu herdeiro, Antonino Pio (86-161 a.C.), o título de Caesar, inaugurou uma prática historicamente longa: o imperador ostentar o título de Augustus e o herdeiro do trono, o de Caesar (p. 330).


Um século antes de Cristo, nasceu o mais famoso César da família dos Júlios, nome de uma antiga e nobre estirpe da Itália. Ou seja, antes de Júlio César, existiram outros Césares na parentela. Por conta disso, Durant adverte que é um equívoco associar a cesariana - a operação cirúrgica para partos - com o seu sobrenome, pelo fato de que o termo César tinha relação com seus familiares antepassados (p. 132) e a cirurgia já existia no tempo de Numa Pompílio (753-673 a.C.) - sabino que governou política e religiosamente uma Roma próxima da época de sua fundação e sob domínio dos etruscos (p. 11).


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Busto de Júlio César, mármore, c. 30-20 a.C. Museu do Vaticano - Itália.


Júlio César seguiu o protocolo instituído pelos romanos que aliava a carreira militar a cargos políticos. Caminho traçado gerações antes dele, ainda na República (508-30 a.C.), seguido no Principado e nos tempos do Império (30 a.C.-325 d.C.). Após o mínimo de 10 anos lutando nas fileiras do exército, o cidadão romano podia ingressar na carreira política por meio de eleições a cargos temporários. Inicialmente, como questor, o qual administrava os gastos públicos; seguido do cargo de edil, encarregado das construções e do controle das delegacias de polícia, dos jogos públicos e até dos bordéis; se tudo desse certo, seria eleito como um pretor, isto é, entre aqueles que conduziam os exércitos em tempos de guerra e eram juízes em tempos de paz; para alcançar o topo do poder político (que continuava militar), o cidadão ainda tinha de ser eleito censor, quer seja, avaliador dos candidatos aos cargos "de tal cursus honorum, ou sequência de funções" (p. 25).


Depois de tudo isso, era comum almejar o cargo de cônsul, distinta função envolta em um caráter religioso, embora, na prática, fosse um misto de líder político e militar, em concordância se a época era de administrar a paz e ou de promover a guerra. Os tribunos da plebe, por sua vez, tinham a função de "proteger o povo contra o governo" (p. 26). Por plebe, Durant explica que caracteriza a população que trabalhava no variegado ramo de serviços e negócios: desde o professor e o camponês, bem como o comerciante ou o médico. Os plebeus também eram chamados de proletarii - termo associado ao número de filhos (proles). Essa relação originou um tratado no qual se estabeleceu que os proletarii, isto é, a plebe, eram aqueles que "nada oferecem ao Estado além de filhos" (p. 262).


Os tribunos da plebe tinham várias funções, entre elas, assegurar a legalidade nos julgamentos e promover o habeas-corpus, direito de proteção e asilo; os 10 tribunos eram sacrosancti, por isso, atentar contra eles era crime capital e um sacrilégio; eles assistiam silenciosamente às reuniões do Senado, divulgavam as decisões e, caso concordassem em discordar, praticavam seu direito ao veto - "eu proíbo" (p. 26).


Já o cargo de senador vitalício fez da política romana uma arena de gladiadores; manteve-se na república, no principado e na monarquia; grande parte deles chegavam ao Senado com a experiência de procônsul, isto é, como governantes de províncias distantes; outros foram magistrados ou comandantes de legiões; e quase todos vinham de famílias que há muitas gerações ofereciam a Roma seus "estadistas e generais". Foi devido ao poder do Senado romano que certas determinações políticas "se prolongavam por gerações e até séculos". Em 280 a.C., por exemplo, Cinéias escreveu que, após assistir uma sessão do Senado, a reunião daqueles homens pareceu-lhe "uma verdadeira assembleia de reis" (p. 24).


César foi questor na Espanha e edil em Roma, ocasião na qual aproveitou para adornar o Fórum com novas construções, distribuir trigo aos pobres e promover grandes jogos para divertimento da populaça, a famosa política do "pão e circo" que o escritor Juvenal (55- c. 127) chamou de panem et circenses e criticou em suas Sátiras (p. 343). Ainda como pretor em Roma, César processou um político por "dilapidação de fundos públicos" (p. 134). De volta à Espanha, dirigiu campanhas militares e trouxe para Roma despojos suficientes para encher o Tesouro Público e pagar suas próprias dívidas. Por esse motivo, o Senado votou-lhe a realização de seu primeiro Triunfo.


Para ser eleito cônsul, César distribuiu subornos, articulou pactos e conseguiu dividir o consulado com Marco Calpúrnio Bíbulo (102-48 a.C.). O povo, rindo-se, dizia que não era o consulado de César e Bíbulo, mas o "consulado de Júlio e César" (p. 135). Antes de terminar seu tempo como cônsul, César se dirigiu para a Gália - hoje, Norte da Itália e Sul da França (p. 138). Sob o pretexto de salvar a região da invasão dos germânicos, César não só impediu a invasão como anexou como província romana todo o território dos gauleses, pois convenceu-os de que a paz era melhor que a liberdade (p. 139).


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Alguns anos depois, quase todas as tribos gaulesas se reuniram contra o domínio romano sob a liderança de Vercingetorix (80-46 a.C.). O próprio César enalteceu a valentia dos gauleses nos seus Comentários (p. 140) e as histórias em quadrinhos que contam as aventuras de dois valentes gauleses, Asterix e Obelix, tiveram como inspiração os "bigodudos" (p. 287) guerreiros da Gália, os quais tornaram precária a situação de César. Durant afirma que aquela guerra foi "o ponto mais baixo da sorte de César" (p. 139).


Contudo, a resistência das tribos da Gália não durou muito. Plutarco (46-120 d.C.) - historiador que nasceu na província grega de Roma e presenciou as homenagens dos romanos ao legado grego enquanto saqueavam sua arte (p. 378) - escreveu sobre as batalhas entre os gauleses e as legiões de César. Nas Vidas Paralelas, o historiador comparou "os grandes vivos e os grandes mortos" (p. 379). Na obra onde compara as realizações de Alexandre Magno (356-323 a.C.) com as de Júlio César, Plutarco conta como César empreendeu a capitulação de Alésia, a rendição de Vercingetorix e a futura exposição desse prisioneiro no Triunfo em Roma:


Vercingetorix, alma de toda essa guerra, vestiu-se de sua melhor armadura e saiu da cidade sobre um cavalo ornado com magnificência; em seguida, depois de ter feito seu cavalo dar voltas em torno de César, que estava sentado no assento próprio de sua magistratura, saltou ao chão, despiu-se de todas as armas e foi colocar-se aos pés de César, ficando calado. César deixou-o sob a guarda dos soldados, reservando-o para o triunfo.[4]


Plutarco relata que, dias antes do Triunfo, o exército de César estacionou nos arredores de Roma.[5] Durant afirma que uma lei regia que o triumphator só podia adentrar a cidade no dia do evento (p. 134). Esse ato também foi respeitado por outros generais que foram recebidos em cidades romanas em uma Entrada Triunfal. A exemplo de Pompeu (106-48 a.C.), contemporâneo de César que deixou o Senado especialmente apreensivo, pois retornou a Roma "à frente de um exército que o amava e a um gesto seu o faria ditador" (p. 135). Pompeu vinha do Oriente e trazia consigo despojos das novas províncias romanas fruto de suas vitórias militares e diplomáticas, entre elas a pacificação da Palestina, terra dos judeus.


Como a política e sua maior aliada, a guerra, estavam ligadas à religião, a Entrada Triunfal tomou a forma de honra pública e solene prestada pelo povo e pelo governo aos generais vencedores e, por essa razão, a festividade ganhou ares de procissão.[6] Para marcar a ocasião, foram erigidos os Arcos do Triunfo. O ápice da festividade era quando o exército passava sob os monumentais arcos erigidos em honra daqueles que elevavam o poder de Roma (p. 66). O Arco do Triunfo se tornou elemento arquitetônico distintivo de várias cidades romanas.[7] Alguns ainda existem e são grandiosos marcos de um passado distante, mas que ainda se faz presente.


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Arco de Tito, c. 82. Roma.


O Arco de Tito (39-81), por exemplo, foi uma homenagem do imperador Vespasiano (9-79) para o seu filho mais velho e sucessor no trono. Tito foi enviado à Palestina como general à frente das legiões que tinham como objetivo suprimir mais uma rebelião dos judeus. "Tito capturou Jerusalém e voltou a Roma", escreveu Durant. "Majestosa procissão triunfal precedeu o desfile de inúmeros prisioneiros e despojos, e foi erigido o famoso Arco de Tito para comemorar o feito" (p. 227).


Até aqui, dá para se ter uma ideia de que a "guerra foi a mais dramática feição da vida romana" (p. 66). Favorino, um dos filósofos que viviam em torno do imperador Adriano, quando repreendido pelos seus colegas por aceitar um argumento errôneo do imperador "respondeu que qualquer homem que tem atrás de si 30 legiões deve ter razão" (p. 325).


Eram as legiões que garantiam a subida naquele longo processo necessário para alçar os mais distintivos cargos militares e políticos romanos. Duas legiões formadas por infantaria, cavalaria e outros grupos auxiliares era o exército do cônsul (p. 28). Restrito a casos excepcionais ligados a tempos perigosos, o Senado podia eleger um ditador para atuar com poder absoluto somente no período necessário para restaurar a ordem. Mas, quando César violou essa norma, mesmo após ser assassinado por Bruto e outros senadores, "a República voltou a ser uma Monarquia" (p. 26).


Foram muitas as causas do triste fim de Júlio César, uma delas foi o fato de que ele era querido pelo povo e pelo exército, o que ameaçava o poder do Senado; além disso, César parecia muito à vontade com a toga púrpura, a coroa de louros e o título de imperator - comandante supremo de todas as forças do Estado (p. 150/154 / 169), o que tinha jeito de despotismo. Por esses e outros motivos, os aristocratas decidiram matá-lo (p. 153).


No decorrer de um mês os conspiradores planejaram o atentado e buscaram mais aliados. Sem demora, Gaio Cássio Longino (83-42 a.C.) procurou Marco Júnio Bruto (85-42 a.C.), filho bastardo, segundo o historiador Apiano (95-165), ou adotivo de César, de acordo com Plutarco (p. 154). Bruto estava ciente de que a eliminação violenta de um tirano era um costume firmado pelo tempo, aceito pelos gregos e, depois, pelos romanos. Alguns dias depois de receber o sombrio convite, Bruto escreveu a um amigo: "Querem que não toleremos um tirano, mesmo que seja nosso próprio pai" (p. 155).


No dia 15 de março de 44, César vestiu sua toga púrpura e seguiu para a sessão do Senado. Assim que entrou e se sentou, todos os presentes se atiraram sobre ele, adagas em punho. César, conta Apiano, ainda tentou se defender, mas quando viu Bruto entre os assassinos, disse: "Também tu, meu filho?"; então, cobriu o rosto e "entregou-se aos golpes" (p. 155).


Durant conta que César ignorou diversos avisos deste e do outro mundo: Calpúrnia (75-? a.C.), sua esposa, teria dito a César que teve um sonho ruim na noite anterior e pediu para que ele não saísse de casa; os historiadores Suetônio (69-141), Apiano e Plutarco concordam que, no caminho, um adivinho disse a César para ter "cuidado com os idos de março"; por fim, antes de entrar no edifício, deram-lhe um bilhete avisando-o sobre o plano, mas ele não o leu (p. 155).


No dia seguinte, "os libertadores" - inclusive Bruto - tentaram justificar o feito para uma multidão indignada que tomou o Fórum; não receberam o apoio esperado e "depois que a multidão se dispersou esgueiraram-se para suas casas". Marco Antônio (83-30 a.C.), general amigo de César, acreditava ser seu herdeiro, então adiantou-se e recolheu os documentos do falecido que estavam com Calpúrnia, além de, secretamente, mandar reagrupar os veteranos das legiões de César (p. 155-156).


Porém, ninguém imaginava o surpreendente conteúdo do testamento de César, guardado sob a proteção das Virgens Vestais - sacerdotisas da deusa Vesta, a deidade encarregada de manter aceso o fogo sagrado da cidade (p. 50). Quatro dias depois do assassinato, Antônio, "com espanto e cólera", leu para alguns mais íntimos o texto: a fortuna de César seria dividida entre os três sobrinhos e "nomeava um deles, Caio Otávio, como seu filho adotivo e herdeiro"; no dia seguinte, durante as honras fúnebres no Fórum, Antônio - mesmo contrariado - leu para a multidão o testamento; a comoção popular explodiu em balbúrdia quando, dramaticamente, o general ergueu o manto de César e mostrou os diversos rombos feitos pelas adagas e as enormes manchas de sangue (p. 157).


"Antônio era metade do que César fora, como Augusto seria a outra metade; Antônio, um bom general - Augusto, um grande estadista; nem um nem outro podiam ser simultaneamente as duas coisas" (p. 157). Sem tardar, ambos iniciaram a vingança contra os algozes de César. Antônio, "sorrindo triunfalmente" (p. 160), recebeu de alguns legionários a cabeça e a mão direita de Cícero (106-43 a.C.).

Ainda em vida, Cícero gozou do título de maior orador e escritor entre os romanos. Durant, inclusive, afirmou ser de Cícero o mérito de engrandecer o vocabulário e embelezar a língua latina. Muito vaidoso, Cícero alternou-se em elogiar e atacar César, a depender dos ganhos políticos e financeiros em vista, Durant sugeriu que a razão disso era que, na verdade, Cícero nunca aceitou que César era mais famoso que ele (p. 131).


Antônio continuou sua busca pelos assassinos. Cerca de dois anos após a morte de César, em Filipos, na província romana da Macedônia, o exército de Antônio enfraqueceu e começou a perseguir as tropas de Bruto. Vendo que se aproximava do fim, Bruto atirou-se contra uma espada e morreu. "Antônio deteve-se diante de seu cadáver e cobriu-o com seu próprio manto púrpura. Tinham sido amigos, bons amigos" (p. 160).


Poucos sucessores fizeram tão jus ao legado recebido quanto Caio Otávio (63-14 a.C.). Para Durant, ele foi "o maior de todos os estadistas da história romana". Com apenas 18 anos, tomou para si a responsabilidade que César lhe ofereceu e surpreendeu a todos ao ser implacável com aqueles que, aproveitando-se da situação, tentaram ameaçar a unidade política e o poder de Roma. Tudo isso, "na silenciosa resolução de vingar-lhe a morte e completar-lhe a obra" (p. 157-158).


Passou a chamar-se Caio Júlio César Otaviano (p. 158). Eliminados os traidores, ele se voltou contra o seu antigo aliado, Marco Antônio. Isso ocorreu por dois motivos: por causa do grande poder militar que Antônio tinha a seu favor e, sobretudo, porque aliara-se com a enigmática e poderosa soberana do Egito, Cleópatra (69-30 a.C.). Otávio viu naquela união de forças mais que um caso amoroso, era uma ameaça à Roma.


Pouco adiantou a Cleópatra usar sua "sensualidade oriental" para conquistar os dois maiores generais romanos de então, visto que, um após o outro, enlaçou em seus braços tanto César quanto Marco Antônio. "César sentiu-se cativo da coragem e agudeza de Cleópatra" (p. 147). Por seu lado, Antônio - que depois da vitória em Filipos, recebeu o governo do Egito, da Grécia e do Oriente - intimou a presença de Cleópatra para dar-lhe certas explicações e ela "veio, mas quando quis e como quis" (p. 161). Ela seduziu-o com seu charme e dinheiro, a ponto de Antônio requerer via carta o divórcio com Otávia e, sem esperar a resposta da esposa instalada em Roma, casou-se com Cleópatra (p. 162).

Mas, Cleópatra não contou com a fria inteligência e estratégia de outro César, o herdeiro do sobrenome e do talento de Júlio César para as artes da guerra e do governo. Como toda a Itália, Otávio se ofendeu quando Antônio, após anexar a Armênia, realizou um Triunfo em Alexandria. Então, Otávio declarou guerra contra Cleópatra para manter a "independência da Itália" contra o desejo imperialista da soberana egípcia (p. 162).


Antônio uniu suas forças militares e navais com as de Cleópatra. Otávio e seu general, Marco Vipsânio Agripa (63-12 a.C.), fizeram o mesmo. Nas águas em torno do Ácio, a força naval de Antônio foi totalmente derrotada. De uma ilha perto de Faros, Antônio enviou pedidos de trégua a Otávio, que não lhe respondeu; Cleópatra, "sem que Antônio soubesse", enviou para Otávio presentes que mostravam sua submissão, "Otávio respondeu que a deixaria no Egito em paz se ela matasse Antônio". Por fim, após receber a falsa notícia de que Cleópatra estava morta, Antônio apunhalou-se. Ferido, foi-lhe permitido ir ao encontro de Cleópatra e morreu em seus braços. Temendo ser levada a Roma como prisioneira que enfeitaria o Triunfo de Otávio, Cleópatra vestiu-se magnificamente e entregou seu busto ao veneno mortal de uma serpente (p. 163-164).


O Egito era uma das províncias romanas da África do Norte e acima do Saara, deserto que separa o Norte do Sul africano. Durant afirmou que, já naquela época, o Egito era frequentado por turistas que para lá se dirigiam para ver as construções milenares dos faraós: as pirâmides e os templos de Tebas; eram recebidos em hotéis e tinham à disposição guias e tradutores (p. 392). Assim como Cartago, ambas se tornaram regiões africanas fornecedoras de matérias primas e escravos para a Itália, além de rivalizarem com Atenas como grandes centros universitários (p. 363).


A propósito, Cartago foi uma antiga rival de Roma e motivo pelo qual os romanos também se dedicaram à arte da guerra naval e criaram as táticas de infantaria "que iam durar dois mil anos" (p. 42). Localizada na região próxima da atual Túnis (p. 33), dessa cidade vieram Amílcar Barca (276-228 a.C.) e Aníbal (247-c. 183 a.C.), dois líderes militares cartagineses que deram muita dor de cabeça para os romanos. Aníbal e sua famosa tropa de elefantes, cruzou três cordilheiras - os Pireneus, os Alpes e os Apeninos - e invadiu a península itálica: "as surpresas de suas táticas assombravam os romanos" (p. 40).


Catão (234-149 a.C.), farto dos problemas causados pelos cartagineses, após terminar seus discursos, repetia: "penso que Cartago deve ser destruída" (p. 83). E assim fizeram, "não deixando pedra sobre pedra" após um incêndio que durou 17 dias (p. 35). Somente com Otávio, já nomeado como Augusto, Cartago foi "ressuscitada" e se tornou uma das mais ricas províncias romanas (p. 365).


Quando, em 29 a.C., um ano depois de suas vitórias contra Antônio e Cleópatra, Otávio retornou a Roma, o Senado promoveu um "Triunfo que durou três dias" (p. 167). Otávio, em 28 a.C., foi nomeado princeps senatus, título que o colocava no topo da lista dos senadores. De acordo com Durant, "breve significaria príncipe no sentido de governante, do mesmo modo que imperator, graças ao uso vitalício que ele fez desse nome, passaria a significar imperador" (p. 169).


Embora proclamasse a República em 27 a.C., nesse mesmo ano Otávio recebeu do Senado "o título de Augustus, que a História confunde com seu nome" (p. 169). A palavra Augusto tinha uma conotação divina associada a divindades criadoras ligadas ao verbo augere, "aumentar". Ao receber a honraria, Augusto se revestiu da santidade que antes era privilégio somente dos deuses. Para Durant, quando Otávio se tornou, ao mesmo tempo, príncipe e imperador, e logo depois, Augusto, tornou-se a gênese não só do futuro poder monárquico medieval e moderno, como deu o motivo para a criação da teoria do direito divino dos reis levada ao extremo a partir do reinado Aureliano, entre 270 e 275 (p. 499).


O implacável Otávio se tornou o magnânimo Augusto, de egoísta herdeiro de César passou a modesto soberano. Durant faz elogios à sabedoria dele. Augusto teria dito: "Nenhum risco acompanha a recompensa que o silêncio traz" e "aconselhou Tibério a limitar-se a proceder contra ações hostis, não contra palavras hostis" (p. 180).


Augusto foi o responsável pelos 30 anos da pax romana. Para manter essa paz, foi preciso empreender várias batalhas, então, Augusto transformou em Guarda Pretoriana parte das coortes policiais encarregadas de manter a paz e a ordem nas ruas de Roma - de um comandante policial designado como praefectus urbi para uma "guarda do praetorium" (p. 171). Essa iniciativa visou sua própria segurança e se tornou o regimento militar de confiança dos monarcas seguintes. Para Durant, desde seu estabelecimento, "o poder do príncipe sobre o Senado não se baseava em nenhuma genialidade, nem nos costumes, nem no prestígio, mas pura e simplesmente na Guarda Pretoriana" (p. 232).


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Nascimento de Vênus, afresco, século 1o. Templo de Vênus em Pompéia - Itália.


Já observamos com Plutarco que os romanos não só admiravam o legado grego como tomaram para si quase tudo que era da Grécia. Eles adaptaram e até renomearam muitos aspectos da cultura grega e seguiram no papel de propagadores do que a posteridade conhece como cultura greco-romana. Por exemplo, no que dizia respeito à religião, a deusa da beleza, a Afrodite grega, tornou-se a Vênus dos romanos. Durant afirmou a respeito disso que, "mesmo os afrescos de Pompeia eram cópias de originais gregos" - nota-se no afresco de Pompeia reproduzido acima. Pelo menos até a Augusto, a pintura e a escultura romanas continuaram essencialmente gregas (p. 266).


O escritor do Satiricon, Petrônio (27-66 a.C.), dizia que havia mais deuses que gente em algumas cidades romanas (p. 49), comentário que não deve ser exagerado, já que o panteão grego foi quase todo trasladado para os templos e altares domiciliares romanos. Assim, não faltaram antigas e novas divindades para simbolizar a relação entre cada aspecto do mundo e da vida com as forças invisíveis e poderosas que eles acreditavam coordenar o mundo. Em razão disso, o deus grego da guerra, Ares, tornou-se o deus romano Marte, "quase um símbolo de Roma" (p. 50). Em sua homenagem, os romanos produziram desde uma infinidade de pequenos amuletos a enormes templos.


Mas, nem tudo foi tomado aos gregos, e a arquitetura romana é uma prova disso (p. 279). Durant afirma que, principalmente após o reinado de Nero (37-68), os romanos se afastaram do "molde helenístico" e revolucionaram a arte clássica "com o arco e a abóbada" (p. 267). Embora as ordens dórica, jônica e coríntia dos gregos seja onipresente nos capitéis e colunas das construções romanas (p. 280), esses inovaram com os arcos lá no alto de seus edifícios. Ao contrário dos gregos, que preferiram encimar suas construções com a horizontalidade dos entablamentos com arquitraves, pois: "O princípio da arquitetura grega sempre foi a linha reta", ressaltou Durant (p. 282).


Diferente dos pintores, em sua grande maioria, vindos da Grécia, a maior parte dos arquitetos eram romanos. O mais afamado entre eles era Vitrúvio (80-15 a.C.), engenheiro militar de César e arquiteto de Augusto, desfrutou de uma velhice tranquila para "formular os princípios da grande arte romana" (p. 279) e escrever uma obra sobre acústica e outra Sobre a Arquitetura, ambas orientaram a Renascença italiana nos séculos 14 a 16 (p. 280).


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Aqueduto romano, século 1o. Segóvia - Espanha.


Os Arcos Triunfais são apenas alguns exemplos do apreço dos romanos à arquitetura com arcos monumentais. O arco também se distingue nos aquedutos. O primeiro aqueduto foi construído em Roma a mando do cônsul Ápio Cláudio (340-273 a.C.)", em 312 a.C. Por conta da facilidade para obter água encanada, foi aberto o primeiro banho público da cidade, também conhecido como Termas (p. 65). Na imagem abaixo, vemos que Segóvia "ainda usufrui da excelente água trazida por um aqueduto do tempo de Trajano" (p. 369).


A imagem seguinte mostra os arcos da Basílica de Constantino (312). Ela foi um dos muitos acréscimos feitos à região do Fórum de Roma, área principal da urbe para os negócios de Estado e do comércio. No entorno do Fórum estavam as ruas onde se comprava de tudo conforme cada especialidade, por exemplo, havia a "Vicus Sandalarius", a rua dos fazedores de sandálias, e a "Vicus Vidrarium", a rua dos vidraceiros (p. 269).


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Basílica de Constantino, 312. Roma - Itália.


Entre os edifícios antigos que ainda se conservam em Roma, o Panteão (c. 125) "é uma das mais valentes obras do homem" (p. 282). Sua feição demonstra o conservadorismo da arquitetura de formas gregas, visível no frontão da entrada erigido a mando do general Agripa em honra a Vênus e Marte (p. 174); além do posterior acréscimo do templo circular com "a poderosa cúpula", construído pelos arquitetos do imperador Adriano (p. 282).


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O Panteão de Roma, c. 125.


Os inúmeros Fóruns construídos posteriormente ao redor do mundo tiveram como inspiração essa fachada grega do Panteão. Já o cristianismo fará da cúpula o local do interior de seus santuários onde o céu está tomado de luz ou de imagens de santos (p. 329). Ademais, ainda na defesa de que "o princípio da arquitetura romana ia ser a curva" (p. 282), Durant observa que a abóbadas de nervuras feitas com tijolos dos arquitetos romanos foram encontradas nos edifícios da Idade Média. Logo, nota-se que, influenciados pela arquitetura romana, os medievais construíram suas basílicas românicas, além dos arcos ogivais e das abóbadas das catedrais góticas (p. 74).[8]


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Os limites que demarcavam os territórios das províncias e das cidades tributárias de Roma, para Durant, eram as regiões que absorveram de forma mais perene a cultura greco-romana, a principal responsável pela formação da Europa Medieval e Moderna. A derrota dos gauleses frente a César e a manutenção daquela área sob domínio romano nos 3 séculos seguintes transformou essa região no marco que separou, enquanto pôde, a civilização romana das tribos do norte. A França, segundo Durant foi "o canal por onde a cultura da antiguidade clássica se passaria para o norte da Europa" (p. 140).


Outros limites foram estabelecidos bem mais ao norte, em uma ilha: a Bretanha. O primeiro a enfrentar o Canal da Mancha e aportar nas margens daquela terra que, até então, vivia incólume, foi César. No ano de 55 a.C., seus legionários se bateram com alguns Bretões e voltaram para a Gália. No ano seguinte, ele retornou e fez os exércitos bretões recuarem até rio Tâmisa, onde estipulou as formas para as cobranças dos tributos e retornou para enfrentar Vercingetorix (p. 139).


O imperador Adriano, "o excursionista" (p. 326), visitou todas as províncias romanas, inclusive a Bretanha. A muralha que Adriano mandou construir em 122-27 se tornou o limite "para separar os bárbaros dos romanos", sobretudo dos indomáveis escoceses. Antonino, 20 anos depois, seguiu o exemplo de Adriano e construiu outra muralha mais ao norte. Ambas mantiveram por mais dois séculos o domínio romano sobre os "tatuados selvagens da Bretanha" (p. 287). Algumas das cidades nessa região foram construídas como um acampamento romano, por isso ganharam o sufixo anglo-saxão chester que remete a "castrum, fortaleza, ou castra, campo", como Winchester e Manchester. Londinium, localizada às margens do Tâmisa, ganhou importância e se tornou Londres (p. 374).


Na Hispania, entre as cidades mais antigas estão Barcino (Barcelona), Olisipo (Lisboa) e Toledum (p. 369-372;); na Gália, Massália (Marselha), Tolosa (Toulouse), Lutetia (Paris) e César fundou Arelate (Arles). Nos limes - as estradas fortificadas dos romanos (p. 376) - da Gália e a Itália, algumas cidades fortificadas foram criadas para proteção contra as tribos germânicas: entre elas, Moguntiacum (Mogúncia), Augusto Vindelicorium (Augsburg) e Argentoratum (Estrasburgo), além de Vindobona, a atual cidade de Viena, na Áustria (p. 376-377). Na Itália, entre outras, nasceram na época romana as cidades de Florentia, Pisae, Venetia, Bononia, Paestum, Salernum, Neapolis, além de Pompeia e Herculanum (p. 356-358).


Pompeia e Herculano não eram grandes ou importantes cidades romanas, foram simples urbes até que o monte Vesúvio expeliu durante três dias uma chuva de fogo e pedras que encobriu toda a superfície e enterrou sob cinza petrificada toda uma viva sociedade que nelas vivia. Plínio, o Velho (23-79 a.C.) - autor da Historia Naturalis (p. 243) -, foi uma das vítimas do ar asfixiante que matou grande parte das vítimas (p. 358). A tragédia de 24 de agosto de 79 a.C. - durante o reinado de Tito (p. 228) - transformou Pompeia e Herculano em um microcosmo da História romana: nelas estão preservadas as mais tangíveis obras da civilização romana. Nas imagens abaixo, o terror e a beleza de Pompeia.


Imagem 9

Vítimas da erupção do Vesúvio, 79. Museu de Pompéia - Itália.


Se alguns afrescos de Pompeia são cópias da arte grega, também há obras de arte onde os romanos mostraram "realismo" (p. 267) e naturalismo. Nas casas dos ricos, 3.500 afrescos atestam a ojeriza a paredes caiadas (p. 276-277) e o prazer de viver em meio àquele pano de fundo iconográfico, como vemos na imagem abaixo. Ademais: "Suas casas eram verdadeiras galerias de arte" (p. 105). "Pompeia vivia para divertir-se" (p. 359), amante do dinheiro e dos prazeres, a filosofia de vida grande parte da sociedade romana de então era epicurista (p. 237), "o povo preferia rir a filosofar" (p. 78).


Paul Veyne, na obra La Villa des Mystères à Pompéi (2016), enumerou, classificou e analisou cada sessão da pintura mural do cômodo reproduzido na imagem abaixo. O historiador francês considera esse conjunto como um dos mais valorosos de Pompéia pela qualidade pictural observada na policromia harmoniosa sobre um fundo vermelho que destaca a iconografia ali presente. Ademais, é visível o talento do desenho e do sombreamento no volume das figuras e nos panejamentos.[9]


Imagem 10

Salão de casa romana, c. 70. Museu Arqueológico de Pompéia - Itália.


Entre 1709 e 1714, deu-se a "exumação de Pompeia" (p. 359). Graças a essa descoberta e outras fontes sabemos que os romanos apreciavam se barbear. Desde 300 a.C., os barbeiros prosperavam em Roma (p. 56) e não podia faltar um deus para proteger o moço que fazia a sua primeira barba (p. 292). Só no reinado de Adriano a "barba inteira" voltou à moda, visto que o próprio imperador a utilizou para encobrir uma cicatriz (p. 325).


Os afrescos de Pompeia também revelam em imagens os famosos banquetes nos quais os romanos realizavam negócios, mas que desandavam em toda espécie de exageros. Durant ressalta que os banquetes eram eventos ocasionais: "A história, do mesmo modo que a imprensa, não figura com equanimidade a vida real, porque dá grande relevo ao que é exceção e esquece-se de contrapor-lhe a vida vazia de extravagâncias dos homens honestos ou a calma rotina do viver cotidiano" (p. 295-296).


Imagem 11

Faustina, c. 150; Diocleciano, c. 299-302; Constantino, c. 330.

Moedas romanas com imagens em perfil. Museu de Boston - EUA.


Ainda no que tange ao realismo artístico dos romanos, as efígies das moedas da imagem acima comprovam que "o realismo dos retratos" e "o forte naturalismo da escultura" ganharam terreno (p. 346). A arte romana atingiu a maturidade após desenvolver a herança grega no interior de sua própria natureza, que era mais pragmática que a dos gregos.


Na escultura, os bustos e as cabeças de figuras públicas, devido às particularidades que revelam, nem sempre afeitos à beleza e pouco idealizados, encantou Durant em suas visitas aos Museus de Nápoles e do Vaticano, onde ainda podem ser vistas a "cabeça de Nerva" e "os bustos de Adriano"(p. 346). Ademais, os romanos tiveram sucesso na arte do relevo em painéis historiados, visíveis no Arco de Constantino ou nas colunas de Marco Aurélio (121-180) e de Trajano (53-117).


Trajano nasceu na Espanha e, mesmo quando se tornou imperador, "jamais deixou de ser um general" (p. 320). Acostumado à dura vida militar, ignorava o medo da morte. Durant observa que ele foi o primeiro de uma longa linhagem de generais vindos das províncias romanas. Ao voltar de uma campanha na Dácia - atual Romênia -, Trajano celebrou um Triunfo com 10.000 gladiadores prisioneiros de guerra e ofereceu à cidade 123 dias de jogos públicos. Vaidoso como todo general e soberano, aproveitou que tinha a seu serviço o talento de Apolodoro de Damasco (50-130) e mandou esculpir e erigir uma coluna ornamentada com "relevos representando cenas da campanha da Dácia" (p. 323).


Imagem 12

Coluna de Trajano, século 1º. Fórum de Roma.


Durant dedicou um bom espaço para descrever essa obra. Segundo ele, abaixo da estátua de Trajano que sustenta o mundo em uma das mãos - motivo largamente repetido pelos futuros soberanos - os painéis esculpidos em alto-relevo sugerem a intenção de representar da forma mais realista possível a peculiaridade de cada indivíduo e o tumulto da guerra. Na história em espiral contada por duas mil figuras distribuídas nos 124 painéis,


[...] as coortes romanas partem de seus aquartelamentos com todas as armas; cruzam o Danúbio sobre pontões; acampam em terra inimiga; confusão de lanças, flechas, pedras; uma aldeia dácia incendiada com a população pedindo misericórdia a Trajano; mulheres dácias torturando prisioneiros romanos; soldados exibindo ao Imperador cabeças de inimigos; cirurgiões a tratar dos feridos; príncipes dácios tomando veneno; a cabeça de Decibalo trazida por Trajano como troféu; a longa fila dos cativos, homens, mulheres e crianças [...] (p. 323).


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Imagem 13

Petra, antiga Arábia Petréia, século 2. Próxima de Jerusalém.


"A mais curiosa feição do grande império estava na impressionante quantidade de suas cidades" (p. 399), nas costas do Mediterrâneo, por exemplo, a cada 20 milhas (c. de 32 km) havia uma cidade. Elas foram os pontos onde produtos e ideias viajaram de um lugar a outro. A imagem acima mostra a Arábia Petréia, ou Petra, cidade fundada na época dos romanos em um entroncamento comercial que ligava o Oriente ao Ocidente.


Certas regiões do Oriente abrigam algumas das mais antigas cidades fundadas pelos gregos e romanos, entre elas: Palmira - "cidade de uma miríade de palmeiras" (p. 401) e a Capadócia. Nelas, ainda se pode ver ruínas de templos, edifícios públicos e estradas romanas. Durant afirma que as províncias orientais de Roma eram as mais prósperas, logo, as mais duramente mantidas (p. 401-404).


Nas cidades do Oriente nasceu e floresceu o Cristianismo. E foram os judeus que deram os primeiros passos para a criação do novo credo aos escreverem grande parte do primeiro livro bíblico, o Antigo Testamento. Muitos desses textos dos profetas foram escritos em Alexandria.[10] Também foi lá que viveu Filo (10 a.C.-50 d.C.), um predecessor da teologia cristã. Judeu criado em um ambiente sacerdotal e admirador da cultura grega, Filo estimou que a população de sua cidade era formada por 40% de judeus que ali podiam viver segundo suas próprias leis e com relativa independência. Flávio Josefo contou que a população judaica de Alexandria era próspera e pia (p. 393).


Durant lembra que Filo de Alexandria foi contemporâneo de Cristo e o considera mais teólogo que filósofo, pois, segundo Filo: "Deus é o ser essencial do mundo, incorpóreo, eterno, indestrutível" (p. 393), palavras que, segundo Durant, inspiraram o Evangelho de João (p. 394). Essa ideia a respeito de Deus como o arquiteto do mundo, será tema e iconografia muito estimada pelos escritores e iluminadores de livros na Idade Média.[11]


Em diversos pontos de sua obra, Durant demonstra como foram os embates entre César e Cristo. Naquela guerra que tomou séculos muitas foram as vitórias dos soberanos, os Césares. Essas vitórias aconteceram, em boa medida, com a escravização de judeus, pois não devemos olvidar de que Cristo foi batizado e viveu como judeu, além de ser punido e morrer porque se considerava o "Rei dos Judeus" (p. 443-447).


As constantes revoltas das comunidades judaicas precipitaram a nova Diáspora, além de causar a morte ou a escravização de milhares. Os judeus, de fato, não davam trégua aos governantes que tentaram subjugá-los: em sua terra prometida ou fora dela, aos judeus não houve exceções, ou lhes era permitido seguir suas próprias leis e credo, ou se rebelavam contra a ordem estabelecida.


Como ocorreu com os judeus de Jerusalém que brigavam entre si e contra o governo no ano de 66: foram massacrados pela guarnição romana e centenas de judeus foram mortos ou enviados a Roma como escravos. No ano 70, Flávio Josefo (37-100 d.C.), sacerdote judeu que se tornou historiador dos romanos após também ser escravizado em 66, "acompanhou Tito em sua marcha contra Jerusalém" (p. 426), presenciou a morte ou escravização de uma nova leva de judeus e a "dispersão" (p. 427) que durou quase 2 mil anos. Daí em diante: "O Judaísmo escondeu-se no medo e na obscuridade, enquanto seu filho, o cristianismo, lançava-se à conquista do mundo" (p. 430).


A vida dos judeus sob domínio romano nem sempre foi difícil. Ainda em 140 a.C., os judeus começaram a chegar a Roma e ali prosperaram, pois, mesmo aqueles que chegaram pelas vias da escravidão, segundo Durant, logo conseguiam a alforria; César os protegeu porque eles o sustentavam; e Cícero estava temeroso com a grande quantidade de judeus nas Assembleias (p. 286). Augusto, por seu turno, expulsou de Roma os cultos asiáticos e egípcios e manteve a liberdade religiosa dos judeus devido aos valores morais associados ao culto judaico, qualidade valorizada pelo soberano em sua nova política (p. 178).


Os monarcas que se seguiram, ora baniam, ora protegiam os judeus - como fizeram Sejano (20 a.C.-30 d.C.), influente chefe da guarda pretoriana em Roma, e os imperadores Cláudio (10 a.C.-54 d.C.) e Calígula (12-41); além disso, não foram poucos os pagãos cultos que admiraram o monoteísmo dos judeus e se converteram ao judaísmo (p. 287), bem como pagãos ricos que se converteram ao cristianismo e ajudaram a construir igrejas (p. 508).


***

Assim como os gregos, a democracia romana se restringia aos cidadãos romanos e, durante séculos, somente os habitantes de Roma eram considerados como tais, posição que, paulatinamente, estendeu-se aos habitantes da península itálica e, depois, para as províncias romanas. Os cidadãos romanos ou as populações que viviam sob o domínio deles eram as únicas que não podiam ser escravizadas: "Toda a região do Mediterrâneo foi vasculhada em busca de máquinas vivas para essa agricultura [...] aos prisioneiros de guerra de cada campanha vitoriosa juntavam-se as vítimas dos piratas ou dos funcionários romanos que organizavam caçadas humanas onde podiam" (p. 89).


As conquistas romanas eram essenciais para manter o sistema econômico baseado na escravidão, cujos escravos eram direcionados, sobretudo, para os latifúndios rurais. O agricultor romano - coloni (p. 493) -, desde que Roma começou a se expandir militarmente, esvaiu-se do trato da terra vendendo-a por pouco para os mais ricos e foi compor as fileiras das legiões ou tentar a sorte nas grandes cidades (p. 89). Por volta do século 30 a.C., metade da população da cidade de Roma era composta de escravos e a maior parte dos trabalhos na indústria e no comércio era feita por eles; além disso, existia o servi publici, o escravo público que trabalhava como escriba para o governo (p. 263).


Catão, em De agri cultura, oferece minuciosas dicas sobre a compra e venda de escravos e, segundo Durant, foi o responsável pela criação "dos latifúndios na Itália" (p. 82). Esses escravos viviam sob severo regime, não eram considerados parte da família e os maus-tratos e a mortandade tornavam os rendimentos pequenos (p. 90). Embora Sêneca (4 a.C.-65 d.C.) afirmasse que algumas fazendas cultivadas por escravos agrilhoados eram maiores que reinos (p. 252), a Itália sempre precisou do trigo que vinha do exterior.


O escravo não tinha direitos, " era res, coisa, propriedade" (p. 311). Essas mercadorias vivas eram tão valiosas quanto os objetos apreendidos. Entre os séculos 1 e 2 a.C., por causa da pax romana de Augusto, a escassez de escravos fez com que o poder político-econômico se visse em apuros (p. 403). Ora, se há paz, não há guerra; se não há guerra, não há coleta de escravos; se não há escravos, diminui-se a mão-de-obra, caminho para a bancarrota econômica.


Na obra Historia Naturalis, ao tratar da exploração de metais preciosos realizadas por escravos, Plínio lamentou "que tantas mãos se gastem para que um dedinho seja enfeitado" (p. 244). Isso ocorreu porque a etiqueta social dos romanos abastados dependia do luxo, suas casas tinham "tetos chapeados de ouro, prata e vidro", homens e mulheres usavam roupas com tecidos da seda chinesa e ostentavam joias. O imperador Tibério lançou editos contra o luxo excessivo, porém, como não houve bom resultado, cedeu e teria afirmado que "sem o luxo, como Roma e as províncias poderiam viver?" (p. 293).


"A sociedade romana sustentava-se no saque exterior e na escravidão interior" (p. 89), uma infinidade de servos e escravos servia nos palácios, desde o cozinheiro ao médico (p. 106). Durant afirma que eram necessários "escravos para guardar tantas riquezas, e mais escravos para a guarda dos escravos" (p. 293). Algumas residências comportavam até 400 escravos, logo, onde os senhores ou senhoras estivessem, estariam ladeados por dois ou mais escravos. Horácio (65-8 a.C.) tornou seu "escravo insolente" um dos personagens mais cômicos de seus poemas satíricos (p. 192) e, nas comédias teatrais de Plauto, era comum a figura do "escravo com mais cabeça que todos os outros juntos" (p. 80).


Apesar do imperador Adriano decretar uma rígida lei para restringir o direito de torturar e matar escravos (p. 332), a Antiguidade aceitava como natural a escravidão (p. 175), Calígula, por exemplo, presidia com visível prazer os leilões de escravos e gladiadores (p. 211). As regiões que mais forneciam escravos eram a África, a Bretanha, a Germânia e os entornos do Mar Negro (p. 259). Durant lembra que "a sujeição legal dos escravos foi a mais negra mancha da lei romana" (p. 312).


Os motivos para escravizar outra pessoa ultrapassavam apenas o espólio de guerra. Ainda por volta do ano 100 a.C., o soberano da Bitínia, antiga província romana localizada na atual Turquia, declarou que "todos os homens de valor militar de seu reino tinham sido vendidos como escravos para satisfazer às extorsões dos coletores romanos" (p. 96).


Da Trácia, região macedônica, veio Espártaco (111-71 a.C.), o líder da maior revolta de escravos da Antiguidade que se tem notícias. Apenas sob seu comando, 70 mil homens se amotinaram, além disso, metade da população escrava da Itália se aliou à sublevação. Mas, Espártaco e seu exército não foi páreo para as legiões de Pompeu e morreu no campo de batalha. Ao longo da Via Ápia, de Cápua a Roma, 6 mil homens que o seguiram foram condenados à pena morte na cruz (p. 109-110).


A crucificação foi invenção dos romanos. A intenção era servir de exemplo para os passantes e infringir dor o maior tempo possível, que poderia levar até três dias para matar o infeliz condenado. Nas palavras de Cícero, a crucificação foi "a mais cruel e hedionda de todas as torturas" (p. 447). A essa morte atroz Pôncio Pilatos, o governador da Judéia entre os anos de 26 e 36, condenou Jesus Cristo, "o mais amável dos homens" (p. 439).


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Durant dedica alguns trechos de seu livro para a descrição da vida e da fé judaica no contexto do domínio de Roma. Um pouco antes das últimas 100 páginas, ele trata diretamente das questões históricas em torno de Jesus Cristo, dos apóstolos e do cristianismo. Embora escreva uma análise clara e bem fundamentada ao tratar das fontes históricas que dizem respeito à vida de Jesus, aborda com muita cautela o assunto.


Os livros sagrados dos judeus se referem algumas vezes ao Messias, em hebraico, Mahsiah. Foram também os judeus que, ao traduzirem seus livros para o grego, por volta de 280 a.C., traduziram Mahsiah para Christos, que significa Messias ou O Ungido. O Messias era aquele que acabaria com o reino do mal na terra pela interseção de Deus ou de seu filho. Em meio a tantos infortúnios, eles "aguardavam o Redentor que desceria do céu para libertá-los" (p. 424-425). Durant cita duas passagens do Livro de Isaías que considera notáveis: na primeira, o profeta prevê a vinda do Filho de Deus; na outra, descreve uma imagem mental dos futuros sofrimentos do Messias:


Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado / ele recebeu o poder sobre seus ombros, e lhe foi dado este nome; / Conselheiro-maravilhoso, Deus-Forte / Pai-para-sempre, Príncipe-da-paz.[12]


Não tinha beleza nem esplendor que pudesse atrair o nosso olhar, / nem formosura capaz de nos deleitar. / Era desprezado e abandonado pelos homens, / homem sujeito à dor, familiarizado com o sofrimento, / como pessoa de quem todos escondem o rosto; / desprezado, não fazíamos caso nenhum dele. / E no entanto, eram nossos sofrimentos que ele levava sobre si, / nossas dores que ele carregava. [...] Mas ele foi trespassado por causa das nossas transgressões / esmagado por causa das nossas iniquidades. [...] Foi maltratado, mas livremente humilhou-se e não abriu a boca, / como cordeiro conduzido ao matadouro; [...] Após a detenção e julgamento, foi preso. / Dentre os contemporâneos, quem se preocupou / com o fato de ter sido cortado da terra dos vivos, / de ter sido ferido pela transgressão do seu povo?[13]


Para Durant, Jesus foi "o acontecimento mais fascinante da história do homem ocidental" (p. 436). O seu nome era comum: no hebraico Yeshua, "o ajudante de Jeová"; em grego, Iesous; e no latim dos romanos, Iesus. Jesus nasceu em Belém e, logo em seguida, a família se mudou Nazaré, por causa disso ele ficou conhecido como Jesus de Nazaré (p. 437).


Durant faz uma breve análise da época na qual mais se tentou retirar Cristo da História: nos séculos 18 e 19 muitos pesquisadores se dedicaram a provar que Jesus não existiu, pois teria sido apenas "um produto da aflição, da imaginação e da esperança humana" que transformou mito em religião (p. 433).


A aniquilação de Cristo não vingou e Durant segue com a relação de algumas evidências de que Jesus existiu. A mais antiga referência a Jesus é a obra Antiguidades dos Judeus, de Flávio Josefo. Escrita por volta do ano de 93, Durant mostra o extrato da fonte: "Nesse tempo viveu Jesus, um homem santo, se homem pode ser chamado, porque fez coisas admiráveis, e ensinou aos homens, e alegremente recebeu a verdade. Era seguido por muitos judeus e muitos gregos. Foi o Messias" (p. 434).


Os evangelhos são as "provas cristãs" da existência de Jesus. Etimologicamente, evangelho vem da palavra grega euangelion, que significa "boas novas". As mais antigas cópias conhecidas dos evangelhos datam do século 3. Anterior a esse século, só menções ao Antigo Testamento. Durant enfatiza que "os Evangelhos concordam entre si admiravelmente e proporcionam um coerente retrato de Cristo" (p. 434-435).


Os evangelistas quase nada relatam a respeito da juventude de Jesus. Exceção feita à disputa do jovem com os sábios do templo. Durant não vê nenhum absurdo nisso, visto que Jesus "tinha o espírito claro e inquisitivo e no Oriente Próximo um menino de 12 anos é quase um homem feito", além disso, ele devia frequentar assiduamente a sinagoga e ouvir com prazer a leitura em voz alta das escrituras (p. 438).


Na mesma época e lugar por onde Jesus passou viviam os semimonásticos essênios e os nazarenos - seita contrária à adoração no Templo -, esses grupos religiosos podem tê-lo influenciado. Durant garante que a maior inspiração foi a do pregador João Batista - seu sobrenome significa "aquele que banha", o qual, de fato, batizou Jesus quando esse completou 30 anos. Depois da prisão e morte de João Batista por ordem de Herodes Antipas (20 a.C.-39 d.C.), governador de 4 cidades da Galiléia, Jesus tomou para si "seu trabalho e começou a pregar o advento do Reino do Céu". Ao contrário de João, Jesus não batizou ninguém, mas se tornou o líder dos seguidores de João Batista e fez crescer exponencialmente o número de fiéis (p. 438-439).


Jesus só não perdoava a falta de fé; não tinha pendor para o ascetismo religioso e, por isso, não condenava "as simples alegrias da vida". Durant lembra que, no que diz respeito aos milagres atribuídos a Jesus, devemos levar em conta de que bastava a presença dele para que os fracos se sentissem fortes e os doentes melhorassem, tamanho era seu "espírito forte e confiante". Ademais, em nenhum relato desses milagres Jesus atribui a si próprio a cura, dizia que era a fé que os curava, "sua ideia estava em que só podia fazer aquilo com a ajuda do espírito divino" (p. 440-441).


Os ensinamentos de Jesus eram simples; utilizava histórias, semelhanças, parábolas e metáforas para instruir seus ouvintes; era claro, forte e objetivo sem perder "a mais nobre poesia" (p. 441-442). Não criticou o governo civil nem a escravidão, suas propostas eram bem mais profundas e abrangentes, já que ele delineou uma moralidade que não dava espaço para "instituições nascidas da violência e da ganância", visto que não se coadunava com o egoísmo, a crueldade ou a cobiça, além de abrigar a todos, sem distinção, em uma fraternidade, até então, sem precedentes (p. 443).


Com Jesus, os judeus e o mundo conheceram uma religiosidade mais interior que exterior, uma vez que, antes do ritual, da oração e da caridade envoltos em espetaculosos e pomposos eventos coletivos, tinha que existir a probidade, ou seja, profunda lealdade a Deus e retidão nos pensamentos e atos (p. 443).


O maior exemplo dessa postura honrada está em Maria, mãe de Jesus. É possível sentir a emoção que subjaz nas palavras de Durant quando analisa, mesmo que brevemente, a Anunciação e as dores da mulher que, impotente, testemunhou a condenação, a flagelação e a morte na cruz do próprio filho. Para o historiador, além dela ser "a mais comovente figura do drama", protagoniza um cenário que, "se não é história, é algo supremo na literatura" (p. 437).


Ainda entre as obras que Durant considera como fontes históricas que se referem tanto a Cristo quanto aos primeiros grupos de cristãos, o historiador cita as mais antigas: Suetônio, ainda no ano de 52, conta como foi o banimento dos "judeus que, agitados por Cristo (impulsore Chresto), estavam causando perturbações públicas"; Tácito, em 64, descreveu a perseguição contra os cristãos perpetrada por Nero (p. 434).


O atentado contra a soberania de Roma ou descumprir as honras devidas aos governantes ou deuses romanos foram as principais razões para as perseguições contra judeus e cristãos. Na legislação romana, os crimes punidos com a morte eram o homicídio, o roubo, provocar incêndio, a rebelião e o sacrilégio (p. 302) - essas últimas foram as acusações que mais pesaram contra os cristãos.


Nero estabeleceu a lei que considerou crime capital "a profissão de fé cristã" (p. 506). No ano de 93, cristãos foram mortos por recusarem oferecer sacrifício à imagem do imperador Domiciano (51-96), o qual estabeleceu a regra de que "o tratassem como Dominus et Deus Noster - Nosso Senhor e Deus" (p. 230). Adriano, Antonino Pio, Marco Aurélio e Septímio Severo (145-211) estão entre os imperadores que mais perseguiram os cristãos (p. 507).


Os ressentimentos contra os cristãos não vinham apenas das altas esferas políticas, a massa popular se ofendia "dos ares de superioridade e distância, e da certeza dos cristãos" (p. 506). Em cidades como Viena e Lion, multidões em fúria apedrejavam cristãos que ousassem sair à rua; em Esmirna, a multidão exigiu do governante que executasse 11 cristãos, além de queimar vivo o bispo, Policarpo (p. 507). Os cristãos eram chamados de "escória do povo" e de "bárbaros insolentes"; os romanos baseavam-se no Estado, os cristãos na fé; a religião romana era politeísta, a dos cristãos, monoteísta; ademais, os cristãos sentiam dever mais lealdade a Cristo que a César (p. 505-506).


Por volta de 110, em carta endereçada a Trajano, Plínio perguntou ao imperador qual deve ser o tratamento dado aos cristãos insurgentes (p. 434). Abaixo, Plínio descreveu o seu trâmite e, em seguida, temos a resposta de Trajano:


O método que observei para com os que me eram denunciados como cristãos era este: eu os interrogava, indagando se eram realmente cristãos; se confessavam que sim, eu repetia mais duas vezes a pergunta, ameaçando-os de morte; se mesmo assim perseveravam, eu dava ordem para que fossem executados.


O método que tendes seguido, meu caro Plínio, no caso dos denunciados como cristãos é eminentemente próprio [...] quando denunciados e provado que são culpados, devem ser punidos; mas quando negam que são cristãos e dão prova disso [...] adorando nossos deuses, devem ser perdoados (p. 506)


Tertuliano (c. 160-220) defendeu que "nenhum homem é obrigado a obedecer a uma lei que considere injusta" e incentivou os cristãos a não cumprirem o serviço militar (p. 506), práticas que eram inadmissíveis aos olhos dos aguerridos romanos. Nascido em Cartago, filho de um centurião romano - líder militar de 100 homens que, unidos a outras centúrias, formavam as legiões (p. 28) -, Tertuliano estudou retórica e foi advogado em Roma; convertido ao cristianismo, casou-se com uma cristã e se tornou o mais ferrenho defensor da religião. Transformou o cristianismo grego e oriental em religião latina e ocidental. Em suas obras, desejou aos romanos que queimavam e flagelavam cristãos destino igual ou pior, além de denunciar os teatros como antros de obscenidade e os anfiteatros como palcos de desumanidade (p. 479).


Foi no meio dessa luta entre poderes que surgiram os martírios contra os seguidores do Cristianismo no decorrer dos primeiros séculos em que a nova religião nasceu, como em Cartago, no ano de 203, onde muitos cristãos sofreram o martírio (p. 507). De acordo com Tertuliano, mesmo quando condenados à morte, os cristãos davam graças e, apesar de milhares de cristãos abjurarem a sua fé sob tortura, na mesma medida, outros permaneceram firmes (p. 507/509). Nada lhes minava a fé, pois seguiam o exemplo de Jesus, afinal, "ninguém conseguiu confundi-lo, nem mesmo diante da morte" (p. 440).


Sêneca foi contemporâneo de dois governantes envoltos em histórias macabras de violência e morte contra cristãos: Calígula e Nero. Se o contexto em que viveu não lhe foi favorável, seus textos adquiriram fama ainda na Antiguidade e durante toda a Idade Média, a exemplo do que teria dito a seu respeito Agostinho de Hipona (354-430): "Que pode um cristão dizer que este pagão já não tenha dito?".


De acordo com Durant, Sêneca inaugurou o gênero literário conhecido como Ensaio, os escritores modernos apenas o utilizaram como fonte de inspiração, Petrarca e Montaigne, entre eles. Ao "mais louvável hipócrita da História" não eram desconhecidos os vícios e as fraquezas dos homens, contudo, seus textos demonstram as vias pelas quais se pode melhorar a vida e garantir um bom repouso após a morte. Durant vê em Sêneca "uma natureza em que igualmente crescem as flores do mal e do bem" (p. 204/242).


A doença que afligiu Sêneca durante toda a vida, a ponto de fazê-lo pensar no suicídio, pendeu seus escritos para uma visão serena diante da morte que muito agradou aos cristãos, como essa: "a alma é a passageira hospedagem de Deus no corpo humano". As crises de asma, para Sêneca, eram a "prática da morte", junto com os "últimos alentos", no decorrer de uma hora (p. 240).


Sêneca viu a crescente insanidade de Calígula. Ainda jovem, por pouco não foi executado a mando do imperador, que mandou matar muitos, inclusive, familiares; Calígula autoproclamou-se Deus e ordenou que se colocasse uma estátua sua no Templo de Jerusalém, óbvio que os judeus pegaram "em armas" (p. 212), de novo. Durant acredita que a doença da maldade veio junto com o poder que o soberano adquiriu (p. 210).


O filósofo nascido em Córdova, na Espanha, foi condenado ao exílio por Cláudio e a mando do próprio retornou para ser preceptor do jovem Nero (p. 216), ao qual suas palavras sábias não tiveram efeito algum. Sêneca servia ao já imperador Nero quando ocorreu o incêndio da cidade de Roma. De acordo com Tácito, o soberano culpou uma "raça de homens detestados por suas más práticas chamado Chrestiani. Esse nome derivado de Chrestus, que, durante o reinado de Tibério, sofreu sob Pôncio Pilatos, Procurador da Judéia" (p. 222).


No século 3, intensa perseguição aos cristãos foi implementada, principalmente, por Diocleciano (244-311), e "a lista dos mártires cresceu em todas as partes do império". Cristãos de Antioquia e de Jerusalém, por exemplo, foram "lançados às feras" por volta do ano 251 (p. 508-510). Essas feras estavam na arena de uma famosa construção romana, o Coliseu. Foi nele que centenas de adeptos ao cristianismo tiveram fim violento. O mais controverso disso tudo é saber por Durant que o Coliseu foi construído em honra à Pax, a deusa da paz (p. 227).


As pinturas históricas e a sétima arte (o cinema) nos ajudam a compreender que a forma mais útil de tornar a morte de inimigos, ao mesmo tempo, espetáculo e exemplo conheceu seu ponto supremo nos grandes eventos públicos que ocorreram no coliseu. A despeito de que existiram outros coliseus em diferentes cidades da Itália e nas províncias romanas, o Coliseu de Roma é o mais famoso. Sua construção começou no reinado de Vespasiano (p. 227), Tito o terminou (p. 228) e Domiciano fez algumas melhorias (p. 229).


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Coliseu de Roma, século 3 a.C.


Aqueles eventos nos coliseus eram oferecidos gratuitamente ao povo pelos generais como parte das comemorações em torno dos Triunfos. A "miserável canalha faminta" (p. 113), nas ásperas palavras de Cícero, rejubilava-se com aqueles espetáculos de violência. Sila, César e Pompeu foram os generais que promoveram os maiores jogos públicos, com centenas de homens e animais aprisionados que eram levados para combaterem entre si em lutas de vida ou morte: "Luta das feras contra homens, de homens contra homens - e a enorme assistência aguardava ansiosa o sinal de morte" (p. 106), o cinematográfico dedo polegar para baixo - em latim, pollice verso (p. 303).


O costume regia que o prisioneiro de guerra, após "desfilar" no Triunfo, seria morto no Templo de Marte (p. 66) ou lutaria como gladiador no coliseu em duelos que eram o "maior atrativo dessas festas" (p. 302). Além dos cativos, as escolas de gladiadores recebiam escravos desobedientes e condenados à morte. Nessa escola, conseguiam treinamento e regime alimentar especial para desenvolver músculos. Deve ser por isso que os mais bravos gladiadores, aqueles que conseguiam vencer toda e qualquer luta, adquiriam status de celebridade: artistas lhes dedicavam poemas, esculturas e pinturas; e muitas foram as moças que se apaixonaram por eles (p. 302-303).


Cícero aceitou com desprazer que nada era melhor para o espírito conquistador e guerreiro dos romanos do que aqueles espetáculos: "Nenhuma melhor disciplina contra o sofrimento e morte pode ser apresentada aos nossos olhos do que a luta compulsória dos criminosos condenados" (p. 305). Juvenal, Plínio e Tácito, por outro lado, defenderam sem hesitação as lutas do Coliseu, pois sustentavam que elas inspiravam a assistência no valor da morte na guerra e acostumava o povo aos sacrifícios que as batalhas exigiam. Ainda assim, como Sêneca (p. 239), Cícero "revoltava-se com a matança"; não via nenhum divertimento em ver "um nobre animal", após dias sem comer, sujeitar-se a tamanhos sofrimentos na arena (p. 303). Só na inauguração do Coliseu por Tito, Durant revela que 5 mil animais morreram; Calígula, seguido de Cláudio e Nero estão entre os imperadores que mais enviaram animais para a morte no Coliseu (p. 301).


A arena era composta de assoalhos de madeira cobertos com areia, após cada espetáculo, ela era varrida, limpa e coberta por outra camada; os negros africanos, sempre considerados servis, limpavam aquela bagunça; após os espetáculos, lá estavam eles preparando a arena para a atração seguinte; eles vinham do mesmo lugar de onde os romanos traziam as feras para as batalhas nas arenas: da África Central e Oriental, em especial, da Etiópia (p. 259).


Apesar de também detestar aqueles sanguinários espetáculos, bem que Sêneca tentou cumprir a obrigação cívica de assistir aos jogos no horário do intervalo, ao meio-dia, na esperança de "encontrar algum recreio de espírito... com o qual os homens descansam da chacina de seus semelhantes". Foi em vão, pois o horror não cessou. E Sêneca lamentou que "o homem, uma coisa sagrada, para o homem, é morto por esporte e divertimento" (p. 304). Nero seguiu o conselho de Sêneca e proibiu duelos com morte no Coliseu - o que não impediu o monarca de mandar matar sua própria mãe; ademais, exilou Sêneca por criticar um de seus versos e enviou-lhe ordem para que se suicidasse, sendo obedecido após breve e infrutífera contestação do filósofo (p. 220-223).


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Naqueles primeiros séculos da nova era, centúrias que pareceram apocalípticas, as disputas entre César e Cristo se agravavam porque os apóstolos se tornaram os mais valentes soldados em prol do estabelecimento da nova religião: Pedro, que sofreu o martírio em Roma e foi crucificado de cabeça para baixo no local onde hoje está a esplanada do Vaticano (p. 452); Paulo, ex perseguidor de cristãos que se tornou "o fundador da teologia cristã" (p. 453); e João, escritor do Quarto Evangelho e do Apocalipse (p. 463).


Ao se referir a Paulo de Tarso, Durant lembra uma obra do alemão Albrecht Dürer (1471-1528): "um dos maiores desenhos de todos os tempos". Logo em seguida, o historiador incentiva a cautela, visto que, "em verdade essas representações são literatura e arte, não história" (p. 454).


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Albrecht Dürer. Os quatro apóstolos, díptico, 1526. Alta Pinacoteca de Munique - Alemanha.


Dürer foi além do desenho, uma de suas mais aclamadas pinturas mostra as figuras de corpo inteiro dos Quatro Apóstolos, reproduzida acima. O manto vermelho de João se destaca, ele segura um pequeno Evangelho, motivo pelo qual ganhou sua alcunha, o Evangelista; Pedro olha o livro que João lhe mostra e segura a chaves do paraíso; Paulo está à frente da segunda parte do díptico, de perfil, olha de soslaio para nós enquanto segura um grande livro fechado e uma espada; atrás dele está Marcos - que não foi apóstolo, mas faz parte do grupo iconográfico de Dürer.


Se utilizarmos a relação imagem-texto unindo os trechos onde Durant analisa o perfil de cada uma das figuras dos apóstolos com a pintura de Dürer, realmente, notaremos semelhanças: Pedro carrega as chaves da Igreja de Roma porque, desde que foi martirizado e crucificado nessa cidade, os cristãos adotaram-no como o fundador da igreja cristã e a cidade de Roma foi escolhida como a sede (p. 453). No Evangelho de Mateus podemos encontrar outra ligação do apóstolo Pedro com as chaves, pois elas simbolizam as chaves tanto da ekklesia[14] quanto do céu, conforme o testemunho de Mateus sobre as palavras de Cristo a Pedro (p. 482-483):


Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja [...] Eu te darei as chaves do Reino dos Céus e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus.[15]


João acompanha Pedro nessa face do díptico de Dürer, mostra a ele um pequeno livro que recebe toda a atenção de Pedro, que até franze a testa em sinal de que as palavras escritas ali lhe são importantes. Assim como Pedro se tornou a autoridade máxima na sede de Roma, João foi autoridade máxima da igreja cristã no Oriente. João aparece jovem na pintura, talvez porque Durant recorda que o apóstolo viveu "tanto, que a gente de seu tempo se convenceu de que não ia morrer" (p. 463).


João escreveu o Livro da Revelação - conhecido também como o Apocalipse, que significa "coisas ocultas reveladas" -, referindo-se ao reinado de Nero. Para João, esse imperador era a Besta do Apocalipse, o Anticristo, o Messias de Satã; Roma era o centro de toda "iniquidade, imoralidade, perversão, idolatria", além de ser nessa cidade que os césares obrigavam os cristãos a cultuá-los como se fossem Deus (p. 464).


Na outra face do díptico de Dürer estão o apóstolo Paulo e o evangelista Marcos. Durant lembra que Paulo também sofreu martírio e morte em Roma, mas seus textos foram, a princípio, esquecidos; voltaram à tona somente quando a Igreja se viu ameaçada pelas heresias do século 4 (p. 463).


Como já observamos, Paulo olha de soslaio para nós e parece que Durant descreve a figura de Paulo na pintura de Dürer: "aos 50 anos recurvo e calvo, rosto pálido e severo, testa ampla e olhos penetrantes". Antes de se tornar cristão, Paulo aprendeu a fabricar tendas, estudou em uma das sinagogas de Jerusalém e "conduziu a primeira perseguição de cristãos em Jerusalém"; até que uma luz divina o cegou e o transformou no maior pregador da Boa Nova (p. 454-455/457). As cartas de Paulo são anteriores ao ano 64; já o Evangelho de Marcos foi escrito entre 65 e 70 (p. 434-435).


Os apóstolos foram os genitores de uma igreja forte no Oriente que haveria de se tornar poderosa no Ocidente. Na Ásia Menor ocorreu o imortalizado Concílio de Nicéia, "o mais importante concílio da Igreja Cristã" (p. 408). Roma, por sua vez, obteve cada vez mais poder, os próprios bispos de outras sés incitavam "todos os cristãos para aceitarem o primado da sé de Roma" (p. 483). No século 3, a riqueza da Sé de Roma e o poder do papa era de tal monta que Décio (201-251), general sérvio que se tornou imperador romano, "confessou preferir como rival um imperador romano a um papa" (p. 484).


O papado assimilou algumas práticas dos gregos e dos romanos: a ética e a teologia gregas, as vestes dos sacerdotes, a organização estatal, os círios, a arquitetura da basílica, "o título de Pontifex Maximus para o Supremo Pontífice", o latim e o sínodo dos bispos; Durant enfatiza que "A Igreja Romana seguiu nas pegadas do Estado Romano" (p. 484). No século 4, as igrejas ocidentais regidas pela de Roma já comemoravam o Natal no dia 25 de dezembro. Ainda nesse século, as igrejas orientais adotaram a data e a comemoraram anualmente (p. 437). Galério, em 311, reconciliou-se com "o invencível Deus dos Cristãos" e o monarca seguinte, Constantino (272-337), declarou-se cristão (p. 510-512).


Durant destaca o fato de que um punhado de cristãos desprezados e oprimidos pelo povo e pelos imperadores, suportaram obstinadamente todas as provas físicas, mentais e espirituais, multiplicaram-se e criaram ordem enquanto seus inimigos se rendiam ao caos "opondo a palavra à espada, a esperança à brutalidade e, afinal, derrotando o Estado mais poderoso que a História conhece. César e Cristo tinham-se defrontado na arena, e Cristo vencera" (p. 510).


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A tarefa final de Durant foi demonstrar que as lutas seculares entre o legado de César - isto é, o ideal civilizacional da Antiguidade greco-romana que teve como sede a cidade de Roma - foi assimilado, mantido e disseminado sob o manto protetor daqueles que fundaram a religião baseada nas palavras de Cristo. O historiador americano concordou que as vitórias de César foram duras, mas também temporárias, pois a paciência e perseverança dos primeiros cristãos venceram toda espécie de fúria e imposições dos romanos. Por isso, o Cristianismo, nas palavras de Durant, ao agrupar as palavras dos profetas judeus, de Cristo e dos apóstolos ao regime e leis inaugurados pelos gregos e institucionalizado pelos romanos se tornou o império mais longo que a humanidade jamais conheceu, já que impera sobre a vida de bilhões de pessoas até os dias atuais.


Roma, "o mais famoso centro histórico do mundo" (p. 9) ou "a cidade mais fascinante e influente da História" (p. 284), capital de um império de outrora, tornou-se a sede de outro império, o do cristianismo, além de ponto a partir do qual o mundo conheceu sucessivas evoluções no campo da arte.


Ainda com sede em Roma, pelos próximos mil anos, a águia cedeu terreno para a cruz. O caminho estava aberto para a Idade da Fé.


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Fontes


ISAÍAS, 9:5. In: BÍBLIA de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013, p. 1268/1340.

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MARCOS 12:17. In: BÍBLIA de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013, 2013, p. 1777.

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PLUTARCO. Alexandre e César: as vidas comparadas dos maiores guerreiros da Antiguidade. São Paulo: Ediouro, 2002.


Bibliografia


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DANTAS, Bárbara. “DURANT, Will. A História da Civilização I. Nossa herança oriental. Rio de Janeiro: Editora Record, 1995, ISBN 85-01-28821-7”. In: BEATRIZ VIOLANTE, Susana; COSTA, Ricardo da (orgs.). Mirabilia Journal 28 (2019/1). The Medieval Aesthetics. Image and Philosophy;

DANTAS, Bárbara. "DURANT, Will. Nossa Herança Clássica. A História da Civilização. Vol. II. Rio de Janeiro: Editora Record, 1995, ISBN 85-01-28822-5." In: COSTA, Ricardo da (org.). Mirabilia 31 (2020/2). Color from Antiquity to Baroque. Materiality and ideality of colors and Saint Jerome: life, work and reception.

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VEYNE, Paul. La Villa des Mystères à Pompéi. Paris: Gallimard, 2016.


............................. [1] As resenhas anteriores são: DANTAS, Barbara. “DURANT, Will. A História da Civilização I. Nossa herança oriental. Rio de Janeiro: Editora Record, 1995, ISBN 85-01-28821-7”. In: BEATRIZ VIOLANTE, Susana; COSTA, Ricardo da (orgs.). Mirabilia Journal 28 (2019/1). The Medieval Aesthetics. Image and Philosophy; DANTAS, Barbara. "DURANT, Will. Nossa Herança Clássica. A História da Civilização. Vol. II. Rio de Janeiro: Editora Record, 1995, ISBN 85-01-28822-5." In: COSTA, Ricardo da (org.). Mirabilia 31 (2020/2). Color from Antiquity to Baroque. Materiality and ideality of colors and Saint Jerome: life, work and reception. [2] MARCOS 12:17. In: BÍBLIA de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2013, p. 1777. [3] JOÃO, 18:36. Ibid., p. 1890. [4] PLUTARCO. Alexandre e César: as vidas comparadas dos maiores guerreiros da Antiguidade. São Paulo: Ediouro, 2002, p. 194. [5] Ibid., p. 173. [6] JIMÉNEZ MARTÍN, Alfonso. Saber ver a arte etrusca e romana. São Paulo: Martins Fontes, 1992, p. 25. [7] ARTE Greco-romana. Firenze- Itália: Scala, 2011, p. 161. [8] Ver mais em: COSTA, Ricardo; DANTAS, Bárbara. “Ao som do passarinho: o monge e o tempo nas Cantigas de Santa Maria (séc. XIII).” In: TEIXEIRA, Igor Salomão (org.). Reflexões sobre o medievo IV: Estudos sobre hagiografia medieval. São Leopoldo: Oikos, 2014, p. 123-133. Internet: O monge e o Tempo. [9] VEYNE, Paul. La Villa des Mystères à Pompéi. Paris: Gallimard, 2016, p. 6-10. [10] Ver mais em: DANTAS, op. cit., 2020, p. 919. [11] Ver mais em: DANTAS, Bárbara. "As ordens religiosas e as aedificationes nas Cantigas de Santa Maria de Afonso X." In: SILVA, Matheus Corassa (org.). Mirabilia Ars 13, 2020/2. [12] ISAÍAS, 9:5. BÍBLIA, op. cit., 2013, p. 1268. [13] ISAÍAS, 53:2-8. Ibid., p. 1340. [14] BÍBLIA, op. cit., p. 1733, nota i. [15] MATEUS 16:18/20, op. cit., 2013, p. 1733.


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* Se precisar citar, tê-lo como referência, seguir:

DANTAS, Bárbara. "(Resenha ampliada) DURANT, Will. César e Cristo. A História da Civilização. Vol. III. Rio de Janeiro: Editora Record, 1971." In: GABY, André (org.). Mirabilia Journal 33, A Música na Antiguidade, Idade Média e Renascimento, 2021/2, p. 704-745. Disponível em: https://www.revistamirabilia.com/sites/default/files/pdfs/23._resenhabarbaradantaswilldurantiii.pdf e https://www.barbaradantas.com/post/resenha-ampliada-durant-will-c%C3%A9sar-e-cristo-a-hist%C3%B3ria-da-civiliza%C3%A7%C3%A3o-vol-iii